O que você vê na imagem é uma anêmona. E essa em especial é intrigante: ela vive a 700 metros abaixo da superfície de uma enorme plataforma de gelo. Além dela, peixes e microorganismos dividem o mesmo espaço, mostrando que parece não haver limites para a vida na Terra – e, quem sabe, para fora dela.

A plataforma Ross

A Plataforma de Gelo Ross equivale ao tamanho territorial da França. Geralmente, quando falamos em locais como a Antártida Ocidental, onde está a plataforma, costumamos imaginar vãos de paisagem gélida branca, sem vegetação, animais ou água líquida. Á primeira vista, não é o lugar em que você poderia passar suas férias ou construir sua casa. É apenas água congelada e frio cortante. A Plataforma de Gelo Ross leva o nome do seu descobridor, James Clark Ross, que a descobriu em 28 de janeiro de 1841.

Em 2010, uma expedição na Plataforma de Gelo Ross descobriu uma espécie de anêmonas vivendo em condições extremas. As anêmonas estavam a cerca de 700 metros abaixo da plataforma, vivendo de cabeça para baixo – ou seja, grudadas no teto de gelo, enquanto as outras espécies vivem presas ao assoalho oceânico.

As anêmonas foram nomeada Edwardsiella andrillae em 2013 e desde então têm despertado a curiosidade de cientistas ao redor do mundo. Afinal, como pode uma espécie viver em condições tão extremas? Isso mostra que, cada vez mais, limites estão sendo batidos pelos seres vivos e até mesmo começamos a achar que não há mais limites. Dessa forma, podemos ter uma ideia, ainda que pequena, sobre a adaptação e desafios da vida em lugares ainda mais remotos, como outros planetas.

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Foto tirada durante a descoberta

As anêmonas são do filo Cnidaria e estão intimamente relacionadas com águas-vivas, corais e hidras. Os estúdios Walt Disney nos mostraram a protocooperação entre as anêmonas e o peixe-palhaço no filme Procurando Nemo.

A descoberta

Essas anêmonas foram descobertas pelo programa ANDRILL , da estação McMurdo, feita pelos EUA. A princípio, o objetivo era analisar as correntes submarinas, além de analisar questões referentes ao aquecimento global. Um robô perfurou o gelo e, acidentalmente, fez a descoberta. A Nasa apresentou grande interesse na descoberta, uma vez que as condições em outros planetas são tão extremas quantos as da plataforma. Assim, as anêmonas seriam um norte para os estudos sobre possibilidades de vida em outros planetas.

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Foto tirada durante a descoberta

Características

A Edwardsiella andrillae vive exclusivamente ancorado debaixo da plataforma de gelo Ross. Quando encontradas, elas mediam cerca de uma polegada com entre vinte a vinte e quatro tentáculos. Porém, após o relaxamento de sua estrutura, ouve uma expansão de cerca de três a quatro vezes de seu tamanho original. Sobre os tentáculos, são oito longos colocados num anel em torno do interior do animal e mais doze a dezesseis no anel exterior.

Ainda não se sabe ao certo como elas se anexam ao gelo, uma vez que os outros membros da sua família se anexam no chão dos oceanos. Os cientistas acreditam que esses animais de alimentem de plâncton e não se sabe, ainda, como se reproduzem.

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Espécime da anêmona