Não é difícil encontrar alguém que tenha diabetes. Essa doença já é uma das que mais mata em vários países. A mais comum, diabetes tipo 1, causa a destruição das células secretoras de insulina pelo próprio sistema imune. Assim, um portador de diabetes tipo 1 precisa de várias injeções de insulina.

Uma técnica mais avançada, o transplante de ilhotas pancreáticas, é eficaz e reduz as injeções, mas mesmo assim é um desafio. Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Okinawa e Pós-Graduação da Universidade de Ciência (OIST), juntamente com a Universidade de Washington, apresentaram uma nova saída: utilizar um composto presente nas algas para otimizar ainda mais o tratamento.

O transplante de ilhotas pancreáticas é relativamente simples: células produtoras de insulina são injetadas num fígado humano para que comecem a produzir a quantidade necessária de insulina para um determinado paciente. Feito isso, essas células, que já se tornaram ilhotas pancreáticas, são injetadas no paciente. O transporte e conservação dessas células tem sido um processo difícil que pode deixar o tratamento mais complicado.

O transporte e preservação dessas ilhotas é feito pela criopreservação, que consiste num método de congelamento. O problema não é congelar as células a -190º – até porque elas suportam bem isso -, o problema é um detalhe simples: cristais de gelo são formados. Pontiagudas, elas podem perfurar as células que estão ao redor, comprometendo a viabilidade celular.

Para solucionar isso, o professor Amy Shen, chefe da pesquisa, e sua equipe desenvolveram um método alternativo de criopreservação utilizando um dispositivo para encapsular as ilhotas à base de alginato, um composto encontrado em algas.

Essas cápsulas têm uma estrutura interessante, que consiste numa rede poderosa e uma quantidade considerável de água não congelável. Essa água não congela por ser água freezamble. As moléculas dessa água são fortemente associadas a uma rede de hidrogel. I

lhotas pancreáticas encapsuladas em alginato estão mais protegidas contra danos causados pelo gelo e reduzem a necessidade de agentes crioprotetores que são substâncias especiais que minimizam ou impedem danos causados pelo congelamento.

O método de microencapsulação pode ajudar a superar alguns dos principais desafios no transplante de ilhotas pancreáticas, incluindo a escassez de ilhotas disponíveis e a falta de métodos simples e confiáveis de controle, especialmente para a avalização individual de cada ilhota. Este método oferece a esperança de uma ‘vida normal’ para os pacientes portadores de diabetes tipo 1 cada vez mais livre de injeções.

Via: EurekAlert