Incrivelmente esta notícia causou um reboliço grande por conta de um termo na matéria original, em inglês, e tem levado a certas reações na internet: o Instituto Francis Crick teve uma licença aprovada para realizar um trabalho utilizando óvulos humanos fecundados.

Este estudo visa melhorar as técnicas de fertilização in vitro. O termo “edição de gene” foi usado em várias matérias de sites brasileiros dando a entender que embriões seriam editados e inseridos nas mães, mas, o que será feito é um estudo genético utilizando uma técnica de edição gênica que irá mostrar como é o DNA durante os primeiros dias de fecundação. Nada será editado e entrará em desenvolvimento. Apenas o DNA será estudado.

A ideia dos pesquisadores é diminuir as taxas de aborto espontâneo, que ocorrem quase sempre durante as gravidezes via fertilização in vitro. A técnica utilizada será a já velha conhecida CRISPR/CAS-9, que corta determinadas sequências de gene para inserir outra sequência pré-preparada. Com essa técnica, eles irão entender melhor como os genes durante os primeiros dias de gravidez se comportam e como são ligados, quais as sequências mais comuns etc. Nada de bombástico, medonho ou monstruoso: mais um estudo genético dentre vários que são realizados todos os anos.

A instituição ganhou o aval da Human Fertilisation & Embryology Authority, órgão que regula esse tipo de pesquisa no Reino Unido. Segundo o site oficial do Instituto Francis Crick, quem vai conduzir a pesquisa será Kathy Niakan e o estudo visa compreender os genes de embriões humanos necessários para desenvolver uma fertilização in vitro com sucesso. O trabalho irá olhar para os primeiros sete dias de desenvolvimento de um óvulo fertilizado.

Porém, eles ainda precisam de um aval ético para a pesquisa começar. Caso essa autorização não venha, a pesquisa não será realizada.

Para o estudo, os óvulos humanos serão doados por pessoas que estão conscientes da pesquisa e suas finalidades e esses óvulos NÃO PODERÃO, EM NENHUMA HIPÓTESE, VIR A SE DESENVOLVEREM. Isso seria um deslize gravíssimo dos pesquisadores, podendo vir a serem presos e condenados.

A partir daí, com os resultados das pesquisas devidamente testados e publicados, viria o passo de legalizar a edição genética em si. Utilizando os dados genéticos, eles utilizariam o CRISPR-CAS 9 para editar óvulos antes de colocar nas mães. Mas, para esse passo acontecer, será necessário muito debate, regulamentação perante a lei e, claro, mais pesquisas na área para dar a segurança e confiabilidade ao processo e não expor mães a grandes riscos.

O órgão regulamentador colocou uma série de critérios que você pode ler em pdf (e em inglês) clicando aqui.

 

Fonte: Instituto Francis Crick