Acostumados a encontrar buracos negros imensos no centro de grandes galáxias, astrônomos da Nasa encontraram um buraco negro supermassivo, pesando pelo menos 17 bilhões de sóis, no centro de uma galáxia medíocre em uma área periférica do universo. Observado com o telescópio Gemini, a aposta é de que esses verdadeiros monstros do cosmos sejam mais comum do que se imagina nesses locais.

Buracos negros supermassivos, aqueles com 10 bilhões de vezes a massa do Sol, costumam ser encontrados em galáxias grandiosas, em áreas da universo muito povoados por outras galáxias. O buraco negro recordista até então pesa cerca de 21 bilhões de sóis e fica no aglomerado de galáxias Coma, aglomerado esse que contém mil galáxias.

O anúncio foi feito na manhã do dia 6 de abril e deixou muitos pesquisadores encantados. O descobridor principal do buraco negro, Chung-Pei Ma da Universidade da Califórnia, contou que a galáxia chama-se NGC 1600. Ela é elíptica e está em um grupo muito pequeno de galáxia: são pelo menos 20 galáxias localizadas em uma área afastada e pouco povoada do universo. A probabilidade de encontrar algo do tipo era bem remota e a Nasa está bastante surpresa.

“Há poucas galáxias do tamanho da NGC 1600 que residem em grupo de galáxias médias. Nós estimamos que esses grupos menores são cerca de 50 vezes mais abundantes do que o aglomerado de galáxias espetaculares como o de Coma. Portanto, a questão agora é ‘Essa é a ponta do iceberg?’. Talvez há mais buracos negros monstruosos lá fora, que não vivem em um aranha céus em Manhattan, mas em um edifício alto em algum lugar nas planícies do meio-oeste”, conta Ma.

Este buraco negro é cerca de 10 vezes mais massivo do que a previsão para buracos negros em galáxias desse porte. Com a ajuda do telescópio Hubble, os astrônomos desenvolveram uma relação entre a massa do buraco negro e a massa do bojo (núcleo ou região central) de sua galáxia hospedeira; quanto maior a protuberância da galáxia será proporcionalmente maior a massa do buraco negro. A massa do buraco negro da CG 1600 é muito maior do que o bojo da galáxia. Ma admite que essa relação não funciona para buracos negros supermassivos.

A hipótese dos pesquisadores é de que esse buraco negro é fruto de uma junção entre buracos negros em algum tempo do universo, quando a interação entre galáxias era mais frequente. Quando as galáxias se fundem, seus buracos negros centrais se fundem em um único núcleo de uma galáxia nova. A interação gravitacional faz com que os buracos negros movam-se lentamente para se fundirem. “Para tornar-se um buraco negro enorme, houve uma fase muito voraz durante o qual ele devorava lotes de gás”, comenta Ma.

Fonte: Nasa