Você está navegando tranquilamente pelo feed de notícias da sua rede social favorita, e de repente aparece algum conhecido que compartilha de algum site “nada sensacionalista” a seguinte notícia: no dia 31 de janeiro, estaremos presenciando uma Super Lua Azul Sangrenta!

A maioria das pessoas com certeza iriam ficar surpresas com esse termo e compartilhar com os demais conhecidos, ou simplesmente ficar com aquela cara de WTF? E por que não pensar que poderia ser a lua dos Smurfs aparecendo para nós? Ou que a Joelma traiu a Lua e ela resolveu se cortar? :p

A grande questão é que não teremos uma Lua gigante, essa lua não ficará da tonalidade azulada, e muito menos irá sangrar. Como diz nosso amigo Jack Estripados, vamos por partes:

Uma Super Lua é o fenômeno que ocorre quando o satélite natural Lua, em sua fase cheia, se encontra no ponto de sua órbita mais próxima de nosso planeta. Ela já ocorreu anteriormente nos dias 3 de dezembro de 2017, 1 de janeiro de 2018 e agora no dia 31 de janeiro de 2018.

A grande questão da Super Lua e a primeira desmistificação deste post, é que visível a olho nu, a grande diferença da Lua durante o fenômeno se trata do aumento do seu brilho, que fica em torno de 14% a mais. Não muda muita coisa não.

Abaixo, uma imagem para se comparar uma fotografia de uma “Lua normal” e uma “Super Lua”:

Comparação de duas fotografias demonstrando as diferenças entre uma “Lua                                              Normal” e uma “Super Lua”.

Como você pode observar, uma mínima diferença quando ela é fotografada, nada observado e que chame atenção a olho nu. Eu sei! Eu sei! A realidade é cruel! Não fique triste. Ainda tem mais.

Esclarecido a questão do Super, agora temos que explicar a questão da Lua Azul, e já deixo de antemão: ela não ficará azul! A Lua Azul ocorre quando temos uma segunda lua cheia no mesmo mês. E é isso! Mas e o que isso tem a ver e por que que ela é chamada de Lua Azul?

Apesar do nome a lua azul ela não adquire a cor azul nesta ocasião. É possível que a lua exiba um brilho azulado devido a condições atmosféricas próprias mas a ocorrência delas não é previsível.

Há relatos de que a lua foi vista em tons de azul no ano de 1883 quando ocorreu a erupção do vulcão Krakatoa.

As cinzas do vulcão provocavam a dispersão da luz vermelha, permitindo a passagem apenas dos tons azuis e verdes. A quantidade de cinzas que foram dispersadas na atmosfera foi tão grande que a coloração persistiu por anos. Há ainda outros relatos relacionados a erupções de vulcões como o Monte Santa Helena em 1980, El Chichon em 1983 e o Monte Pinatubo em 1991.

Entretanto, o termo se popularizou com enormes proporções no ano de 1946, por conta de uma interpretação incorreta do editor da revista Sky and Telescope James Hugh Pruett.

E este ano, em janeiro, quando ocorreu e ocorrerá uma lua cheia? Nos dias 2 de janeiro e 31 de janeiro de 2018. Uau! Teremos uma Lua no perigeu e a segunda Lua cheia no mês de janeiro. Por fim, por que Lua sangrenta?

Esse termo ficou bem famoso por conta do eclipse lunar total  que aconteceu no ano de 2015. Por sinal, foi visível em todo o Brasil.

Tudo começou por conta de dois pastores cristãos chamados Mark Blitz e John Hagee, onde lançaram um livro escrevendo que o eclipse lunar total seria a representação de uma profecia bíblica.

Depois de tudo, a Lua supostamente assumiria uma coloração vermelha sangue, antes do fim dos tempos. Como está descrito em Joel 2:31:

O Sol se tornará escuro, e a Lua sangrenta antes do grande e terrível dia que o Senhor virá.

Essa descrição, apresenta algo inusitado, a ocorrência tanto de um eclipse total do Sol, com ele ficando escuro, ou seja, com a Lua passando diretamente em frente ao seu disco, e um eclipse da Lua com ela entrando totalmente na sombra do nosso planeta.

Enfim, o eclipse lunar tem coloração de tom avermelhada por conta de um fenômeno muito conhecido como dispersão da refração da luz.

E que dia teremos um eclipse total lunar? Exatamente! Dia 31 de janeiro de 2018. Teremos uma Lua Cheia no perigeu, onde no dia cairá a segunda lua cheia do mês de janeiro, e de brinde  um eclipse lunar total.

A parte triste é que o eclipse não será visível do Brasil, como mostrado no gráfico a baixo:

O fenômeno será visível do oeste do Pacífico, do Alasca, do oeste do Canadá, do Havaí, da Austrália, da Nova Zelândia, da Indonésia, das Filipinas, da China, do Japão e da Sibéria oriental. 

Grande parte do eclipse também será visto da América do Norte, mas os observadores orientais perderão os últimos estágios do eclipse, pois a Lua já estará abaixo do horizonte. Da mesma forma, partes da Europa Oriental e da Ásia Central experimentarão o nascer do sol após o início do eclipse. 

Referências:

NASA, EarthSky, Space Today