Coisas relacionadas à saúde tendem a serem muito técnicas e muito restritas a áreas que tenham certos recursos – e isso se aplica, principalmente, aos diagnósticos. Marcadores moleculares para diagnosticar doenças são muito complexos e/ou muito caros para serem utilizados fora de um laboratório de ponta.

Mas, ao que tudo indica esses diagnósticos irão ficar cada vez mais dinâmicos, acessíveis e confiáveis graças aos pesquisadores do Laboratório Rustem Ismagilov, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech). Eles estão desenvolvendo softwares que permitam diagnósticos rápidos utilizando químicos analíticos e processamento de imagem para fornecer contagem de moléculas utilizando a câmera de um celular.

A tecnologia já tem nome – SlipChip – e o primeiro trabalho sobre foi publicado em 22 de fevereiro desse ano na revista ACS Nano. O SlipChip foi desenvolvida há alguns anos no laboratório Ismagilov e é uma tecnologia microfluídica. O artigo publicado falou sobre os resultados do SlipChip ao analisar, identificar e validar o RNA do vírus hepatite C.

O SlipChip é um lab-on-a-chip (laboratório em um chip). Vários SlipChip foram desenvolvidos para codificar programas complexos que isolam moléculas individuais (como DNA e RNA). Os programas também controlam as reações complexas em pequenas amostras: o chip é comporto de duas pacas que se movem – ou deslizam. Esse movimento faz com que separem ou juntem milhares de pequenas partículas de moléculas provocando isolamento ou contato de reagentes e moléculas. A arquitetura do chip permite que o usuário tenha total controle sobre essas reações químicas.

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                       O SlipChip e um pouco do seu funcionamento

Em amostra infectada com hepatite C, por exemplo, as moléculas de RNA do vírus foram contadas. Ao final da contagem, a tela ficou azul, sinalizando que há contaminação na amostra. Se estivesse faltando moléculas na amostra, a tela permaneceria roxa, tal qual ficaria em um exame de laboratório. Para ler o resultado, basta tirar uma foto usando a câmera do celular.

Essa imagem será processada utilizando um programa que utiliza abordagem radiométrica que transforma cores detectadas pelo sensor da câmera em uma leitura inequívoca dos pontos positivos e negativos. O programa pode ser instalado em vários celulares com diversos sistemas operacionais.

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     Se a cor azul aparece, significa que há contaminação. Essa cor pode ser                              adaptada conforme a captação de cada câmera de celular

“O processo de leitura que desenvolvemos pode ser usado com qualquer câmera de celular. É rápido, automatizado e não requer contagem ou interpretação visual, por isso os resultados podem ser lidos por qualquer um – até por pessoas que estejam sob más condições de iluminação. Esta robustez torna nosso método de leitura visual adequado para integração com dispositivos usados em qualquer ambiente, incluindo ambientes com recursos limitados. Isto é crítico porque a necessidade de diagnósticos de alta sensibilidade é maior nessas regiões”, diz Jesus Rodriguez-Manzano, um dos autores do projeto.

Via EurekAlert