Uma pesquisa conjunta de várias universidades do Brasil e liderada pelo pesquisador Stevens Rehen, da Universidade Federal do Rio do Janeiro (UFJR) provou que, sim, o Zika vírus é o causador da microcefalia. Esta é a primeira pesquisa definitiva do assunto, que está deixando o país inteiro preocupado desde o ano passado. A mesma equipe já havia demonstrado como o Zika vírus age no cérebro (leia clicando aqui) e, agora, a pesquisa recente vai dar novos rumos a remédios, tratamentos e diagnósticos.

O Zika vírus brasileiro é uma vertente asiática da doença e a pesquisa mostra que o vírus presente no país induz a morte celular, altera ciclos celulares e interrompe atividades neurológicas, além de regular o processo de produção de proteínas (transcrição e tradução) devido a sua replicação viral. Os resultados apontam para malformações cerebrais como o resultado mais grave da infecção em fetos.

As provas de que o vírus brasileiro descende do vírus asiático veio com as análises do material genético do vírus, que corresponde a 97% de semelhança com o Zika vírus da Ásia. Os pesquisadores utilizaram células-tronco neurais e deixaram expostos aos vírus por cerca de duas horas. Após três dias, as amostras de células estavam completamente contaminadas. A infecção causou a apoptose, que é a morte programada de células, em poucos dias.

A pesquisa mostra que a infecção do feto pelo Zika vírus é devastadora no sentido da eficiência do vírus em controlar o cérebro, destruindo muitos neurônios e causando deformações graves. Na pesquisa anterior, os pesquisadores demonstraram que a infecção reduz o tamanho do cérebro em 40% em apenas 11 dias.

Primeiras evidências

Em fevereiro desse ano, um grupo de médicos eslovenos examinaram um feto com microcefalia de uma mulher que engravidou durante uma viagem ao Brasil (veja clicando aqui). O córtex cerebral do feto estava calcificado e certas áreas do cérebro estavam granuladas. Restos de vírus foram encontrados dentro de organelas dos neurônios, que estavam destruídos.

Esta foi uma das primeiras provas da transmissão vertical do Zika vírus. Anteriormente, o vírus havia sido encontrado no líquido amniótico de dois fetos com microcefalia, caracterizando uma transmissão intra-uterina da infecção.

Via artigo da pesquisa publicado no PeerJ