Admita: quantas vezes, por dia, você pensa na gravidade? Talvez você pensou quando seu celular caiu da mesa, quando você tropeçou na calçada ou escorregou e caiu sentado ao andar de patins. A gravidade é peça chave para esses processos e outros processos, além de estar presente 24 horas por dia, sete dias por semana, em nossas vidas.

Antigamente, os primeiros pensadores achavam que a gravidade não era uma força, era apenas uma tendência natural dos objetos a afundar em direção ao centro da Terra. Os outros planetas tinham leis diferentes, muito diferentes da Terra. Hoje em dia, sabemos um pouco sobre a gravidade graças ao avanço da Ciência – e o que sabemos é um tanto quanto aterrador. Veja, abaixo, as seis coisas mais importantes que você precisa saber sobre a gravidade e quase ninguém vai te contar:

  1. A gravidade é, de longe, a força mais fraca que conhecemos

Sim, é isso mesmo, e você nunca se deu conta disso. A gravidade é responsável por uma série de coisas bem importantes, como manter a nossa Lua na órbita da Terra, os nossos pés no chão, as galáxias no universo e etc. Mas, você é capaz de vencer a gravidade. Experimente erguer um livro do chão até o alto da sua cabeça – pronto, você já venceu a gravidade. E nem precisou ser tão forte quanto Thor.

Para que você tenha uma ideia sobre como a gravidade é fraca, vamos comparar a força elétrica entre um elétron e um próton: a força é de aproximadamente um quintilhões de vezes mais forte que a força gravitacional entre eles (imagine o número um com 30 zeros após ele). A gravidade é tão fraca que nem sabemos direito o quanto ela é fraca.

  1. Gravidade e peso não são a mesma coisa

Os astronautas, quando estão nas estações espaciais, flutuam. É comum dizermos que eles estão em gravidade zero, mas não é bem assim que funciona. A força da gravidade sobre um astronauta é de cerca de 90% da força que eles iriam experimentar na Terra. Porém, os astronautas têm peso – e o peso é a força que o chão exerce em volta deles na Terra.

Um exemplo clássico é ficar em cima de uma balança dentro de um elevador. O peso oscila bastante, além de você conseguir sentir a aceleração e a desaceleração e, mesmo assim, a força gravitacional continua a mesma. Quando estão em órbita, os astronautas movem-se conforme a estação move-se também; não há nada para empurrá-los contra a lateral da nave para fazer peso. Esta é um pouco da ideia que Einstein teve ao desenvolver a relatividade geral.

  1. A gravidade faz com que ondas se movam à velocidade da luz

A relatividade geral de Einstein prevê as ondas gravitacionais, detectadas no início desse ano após 100 anos de previsto. Entender isso não é complicado: se você tem, por exemplo, estrelas anãs brancas, ou buracos negros presos em órbita mútua eles lentamente vão se aproximar, gerando as ondas. A Terra também gera ondas gravitacionais, uma vez que ela orbita o Sol, mas é algo muito pequeno.

Como consequência da relatividade, a gravidade pode viajar tão rápido quanto a luz no vácuo. Se algo de drástico acontecesse com o nosso Sol, o efeito gravitacional de tal evento chegaria até nós ao mesmo tempo que a luz do evento.

  1. A explicação do comportamento microscópico da gravidade

O Modelo Padrão descreve as outras três forças fundamentais da natureza com teorias quânticas em menores escalas. Nós ainda não temos uma teoria quântica totalmente funcional da gravidade.

O loop quantum gravidade é uma das linhas de pesquisa dos cientistas que utiliza técnicas da física quântica para descrever a estrutura do espaço-tempo. Ela propõe que o espaço-tempo é uma partícula muito pequena assim como as partículas da matéria são bem diminutas. O espaço-tempo seria uma estrutura flexível, que curva-se com a presença da matéria. É igual quando você senta em um colchão: a parte em que você senta afunda. Dessa forma, é possível descrever os efeitos da gravidade em uma escala muito menor do que o núcleo de um átomo.

A abordagem mais famosa é a teoria das cordas, onde as partículas são consideradas vibrações das cordas que estão enroladas em dimensões muito pequenas. Porém, essas proposições ainda não são capazes de fornecer detalhes testáveis sobre o comportamento microscópico da gravidade.

  1. A gravidade pode ser transportada por partículas sem massa chamada grávitons

Segundo o Modelo Padrão, as partículas interagem umas com as outras através de partículas portadoras de força; o fóton é portador de força eletromagnética, por exemplo. Os grávitons são as partículas hipotéticas da gravidade. Assim como os fótons, os grávitons não tem massa, muito provavelmente. Se tivessem massa, as experiências deveriam ter detectado alguma coisa –mas, mesmo assim, os cientistas não descartam uma quantidade ridiculamente pequena de massa.

  1. A gravidade quântica aparece no menor comprimento da matéria

Apesar da gravidade ser bastante fraca, quanto mais próximo dois objetos estão, mais forte ela se torna. A gravidade atinge a força das outras forças a uma distância muito pequena conhecida como distância de Planck. Essa distância é muitas vezes menor que o núcleo de um átomo.

Os efeitos da gravidade quântica torna-se forte o suficiente para ser medido nessa condição, mas é muito pequeno para que seja investigável por qualquer experimento. Alguns cientistas pensaram em deixar a gravidade quântica mostrar-se em escala milimétrica, mas até agora não obtivemos resultados convencedores.

Via EurekAlert