Muitas pessoas são totalmente encantadas por Encélado, uma das luas de Saturno. É comum alguns pesquisadores tentarem imaginar que tipo de vida poderia viver em seus oceanos, mas uma questão fundamental é o quanto esse líquido é ácido e se seria, realmente, propício para suportar vida – qualquer que seja esse tipo de vida. Cientistas estão se debruçando para tentar elucidar esse enigma e tentar dar mais um passo importante na jornada em busca de vida no Sistema Solar.

Encélado, juntamente de Europa (lua de Júpiter) e Titan (outra lua de Saturno), compõe a família de luas geladas que são grandes candidatas a abrigar vida no Sistema Solar. A sonda Cassini tem avaliado Encélado há algum tempo e sempre há novas imagens estonteantes no site da Nasa. Um dos fatores importantes para a habitabilidade de um planeta é a sua composição química, tanto de sua atmosfera, quanto o pH (acidez das águas). No nosso planeta, a vida pode existir perto dos extremos de pH que varia de 0 (acidez de um ácido de bateria, por exemplo) a 14 (acidez de um limpador de drenos, por exemplo). Sabendo a acidez das águas das luas, poderemos identificar as reações geoquímicas que afetam a habitabilidade de um ambiente.

Oceanografia de um outro mundo

Ainda não podemos fazer medições de pH diretamente em Encélado, mas podemos observar as moléculas em suas plumas e como elas mudam de forma conforme o pH muda.

O geoquímico Christopher Glein e sua equipe encontraram uma forma alternativa para estimar o pH do oceano de Encélado usando a observação geoquímica do material carbônico da pluma. A observação consistiu em montar um modelo geoquímico utilizando os aparelhos CDA e ao INMS: o primeiro mede carbono inorgânico por poeira e o outro é um espectrômetro que mede íons de dióxido de carbono. Ambos estão a bordo da Cassini.

Assim, a equipe de Glein criou o modelo baseando nos resultados dos aparelhos. O modelo sugere que Encélado tem sal de sódio, cloreto e carbonato no oceano com um pH alcalino, de 11 a 12, mais ou menos o equivalente ao amoníaco ou água com sabão. “É encorajador que haja um acordo geral, considerando que essas abordagens são baseadas em dados da nave espacial ao analisar a pluma. Isso é muito mais difícil do que obter o pH de uma piscina, por isso não seria surpreendente se os modelos fossem falhos em alguns detalhes. Claro, estamos tentando conciliar os dados o máximo que conseguimos porque os detalhes podem fornecer pistas para a compreensão dos processos eruptivos que transformam a química de um oceano através de sua pluma”, finaliza Glein.

Fonte: Astrobiology Nasa