Uma equipe de pesquisadores da Universidade da Califórnia liderada pelos astrônomos Behnam Darvish e Bahram Mobasher postulou uma das razões para que galáxias tenham parado de produzir estrelas. Analisando amostras de 70 mil galáxias, eles chegaram a conclusão de que eventos externos (como a retirada de gás a partir de uma galáxia dentro de um aglomerado de galáxias) e eventos internos (como o buraco negro no centro da galáxia) podem ser os fatores decisivos para que estrelas parem de nascer.

A característica que mostra quando uma galáxia parou de produzir estrelas é a sua cor. Galáxias azuis formam estrelas ativamente e as vermelhas não formam mais estrelas. Esse processo de parada ainda não é bem compreendido pelos astrônomos, mas este novo estudo promete abrir um novo caminho para a questão.

Utilizando o telescópio COSMOS UltraVISTA, eles vasculharam 70 mil galáxias analisando as distâncias entre elas nos últimos 11 bilhões de anos, principalmente os processos internos e seus efeitos externos que acabam influenciando na atividade de produção de estrelas

Dentro de um aglomerado de galáxias, muito gás é puxado de dentro de algumas galáxias graças aquelas que estão se movendo sobre influência da gravidade; outros materiais são arrancados das galáxias quando múltiplos encontros gravitacionais entre galáxias ocorrem, além da suspensão do gás frio para galáxias azuis que acabam se tornando vermelhas. Dessa forma, estes processos externos esgotam ou cessam os ingredientes primordiais para o nascimento de estrelas em galáxias.

Os mecanismos internos são, basicamente, as ações do buraco negros no centro das galáxias, que através de jatos, ventos ou radiação intensa podem ser capazes de ‘sumir’ com o gás hidrogênio; a chamada ‘saída estrelar’ é quando jovens estrelas e supernovas empurram o gás para fora de galáxias hospedeiras. Assim, novas estrelas ficam sem o ambiente e o material propício para seus surgimentos.

“Ao usar as propriedades observáveis das galáxias e métodos estatísticos sofisticados, que mostram que, em média, processos externos só são relevantes para extinguir galáxias durante os últimos oito bilhões de anos. Por outro lado, os processos internos são o mecanismo dominante para desligar a formação de estrelas antes deste tempo e mais perto do início do universo”, explica Darvish.

Os debates astronômicos são se a parada da formação de estrelas é um processo interno, externo ou uma combinação de ambos os processos. Essa descoberta fornece novas pistas para compreender porque galáxias vieram deixando de produzir estrelas em vários momentos do Universo.

Via EurekAlert