Mais uma pesquisa endossa o coro da relação entre microcefalia e o Zika Vírus. Pesquisadores brasileiros comprovaram que o vírus da doença destrói as células cerebrais, os neurônios. Recentemente, um grupo de médicos eslovenos encontraram restos de Zika Vírus dentro das organelas de neurônios de um feto com microcefalia. A mãe era europeia e contraiu a doença no Brasil.

O Zika vírus já infectou muitas pessoas no Brasil e em várias partes do mundo. Apesar da origem ser africana, o vírus existente por aqui é uma vertente asiática como um grupo de médicos eslovenos conseguiu mostrar.

A partir daí, um verdadeiro surto de microcefalia começou a ser observado no Nordeste brasileiro e, depois, em outros locais do país. Uma instituição argentina tentou argumentar que a culpa do surto de microcefalia era um veneno usado para eliminar o mosquito Aedes aegypti, o piriproxifeno. Porém, uma pesquisa liderada por Stevens Rehen, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) mostrou resultados sensacionais.

O artigo, publicado na PeerJ, comenta que a microcefalia primária é uma malformação grave que tem como característica a redução do tamanho do cérebro durante o desenvolvimento embrionário. O paciente apresenta várias deficiências como comprometimento visual, motor, auditivo e das funções cognitivas. O trabalho usou células tronco cultivadas como células neurais (os neurônios) para explorar as consequências da infecção por Zika vírus.

Segundo o trabalho, após 24h de infecção, o vírus foi detectado em grande parte da população de células neurais expostas à infecção. Durante o processo de diferenciação neural, que é quando cada parte do cérebro desenvolve sua respectiva função, os pesquisadores perceberam que o vírus causou pequenas anomalias nas células após três dias de exposição á infecção.

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Em A, infecção no dia 0 e em B, infecção após 11 dias. As setas indicam os vírus

O pesquisadores também descobriram que o Zika vírus induz as células neurais a morte destruindo suas partes como membrana e algumas organelas. Algumas células em fase de neurogênese também foram expostas ao vírus e, em 11 dias, o Zika vírus foi capaz de reduzir o processo tal que o resultado final foi 40% menor que um cérebro comum. “Em conjunto, os nossos resultados demonstram que o Zika vírus induz a morte celular em humanos. As células estaminais neurais perturbam  a formação de neuroesferas [conjuntos de células tronco] e reduz o crescimento do cérebro”, diz o trabalho.

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Célula neural. A cor laranja sinaliza os vírus da Zika

 

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Todas as setas indicam a presença de vírus em várias estruturas das células

A pesquisa está causando um barulho enorme na comunidade científica e cada vez mais embaraço nos médicos argentinos, que apenas causaram pânico em várias cidades brasileiras. Agora é esperar por mais resultados tão fascinantes como esse e por tratamentos mais seguros e eficazes.

Fonte: artigo publicado no PeerJ