Astronautas sofrem com a perda da densidade óssea durante as viagens espaciais, mas, nunca ficou claro como esse processo ocorre. A Nasa encontrou uma forma de estudar esse fenômeno através da criação de peixes. Isso mesmo: eles criaram pequenos peixes de água doce dentro da Estação Espacial Internacional por cerca de 56 dias e examinaram ossos e dentes para procurar respostas sobre a perda da densidade óssea.

Estudos feitos anteriormente sugeriram que a microgravidade era a responsável pela ativação dos osteoclastos, células que controlam a degradação do tecido ósseo. A criação dos peixes examinou essa relação entre o aumento da atividade dos osteoclastos com a degradação dos ossos no espaço.

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O pesquisador Akira Kudo

Um artigo publicado na Nature Scientific tratou sobre as descobertas. Akira Kudo, um dos autores do trabalho e professor na Escola de Graduação em Biociências e Biotecnologia no Tokyo Institute of Technology, falou que a pesquisa encontrou relações entre o aumento no número de osteoclastos e suas atividades com a degradação óssea dos peixes. Utilizando microscópios eletrônicos, eles encontraram anormalidades nas mitocôndrias dos osteoclastos. As mitocôndrias são organelas redondas que produzem enzimas que converter alimentos em energia.

A análise genética revelou o aumento significativo da atividade em dois genes que podem estar envolvidos na função mitocondrial, sugerindo que a ativação de osteoclastos pode estra ligada a reação das mitocôndrias à microgravidade. “Se o mesmo acontece com os astronautas, precisaremos de medicamentos que tenham como alvo a disfunção mitocondrial para poder restaurar a perda óssea no espaço”, comentou Kudo.

O peixe utilizado na pesquisa foi o medaka japonês (ou peixe dourado), considerados organismos modelo para investigações de ciências da vida. Isso significa que eles têm características que permitem a manutenção, reprodução e estudo de forma mais fácil. 24 peixes foram transportados para a Estação e passaram dois meses no habitat aquático montado no módulo Kibo. Esses peixes tem osteosclastos florescentes, o que possibilita uma melhor observação de resultados.

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Comparando volume e atividade das células que quebram a densidade óssea em que os ossos da mandíbula superior e inferior dos peixes após 56 dias passados ​​a bordo da Estação Espacial Internacional com peixes em Terra

Os peixes apresentaram crescimento normal do corpo, apesar de terem diminuído a densidade mineral de seus ossos e dentes. Eles nadavam normalmente mas, enquanto o módulo estava em movimento, eles tendiam a ficar parados. Isso indica o efeito da microgravidade sobre a densidade óssea provavelmente envolve mudanças na força mecânica que reduz a atividade física em geral e, portanto, provoca a ativação dos osteosclastos.

“Tem sido difícil entender o mecanismo da perda óssea na Terra. O experimento descobriu genes afetados pela microgravidade e fornece um bom modelo animal para esclarecer este mecanismo”, finaliza Kudo.

Fonte: Nasa