Este crânio pertence à nova espécie de mosassauro descoberto no Japão após uma parceria internacional entre pesquisadores. O fóssil muito bem conservado preenche uma lacuna biogeográfica entre o Oriente Médio e o Pacífico Oriental, além de ter novas revelações sobre a vida dos mosassauros, primeiros predadores dos oceanos.

Eles são répteis pré-históricos da família Mossauridae e tornaram-se muito populares do final do Cretáceo.

Ele foi batizado de Ponpetelegans phosphorosaurus, nadava muito bem e, segundo os resultados, era capaz de caçar peixes e lulas à noite. Em comparação com alguns primos, essa espécie atingia pouco tamanho de comprimento, chegando a 3 metros. O fóssil foi descoberto em um riacho na cidade de Mukawa, no norte do Japão.

“Descobertas anteriores envolvendo esse mosassauro raro têm ocorrido ao longo da costa leste da América do Norte, na costa do Pacífico da América do Norte, Europa e Norte da África, mas este é o primeiro a preencher a lacuna entre o Oriente Médio e o Pacífico Oriental”, diz Konishi, membro da equipe que fez a descoberta.

Graças à ótima preservação do fóssil, os pesquisadores observaram que a criatura tinha uma visão binocular: seus olhos estavam na frente do rosto, proporcionando a percepção de profundidade. Esta descoberta foi uma grande novidade para os mosassauros. Além disso, os olhos dessa espécie eram maiores do que as de seus primos e sua locação era semelhante aos dos cavalos modernos. Essa configuração foi melhorada para ajudar durante a natação e na caça de peixes, tartarugas e até mesmo outros mosassauros menores.

Este fóssil foi encontrado dentro da matriz de uma rocha e foi descoberto pela primeira vez em 2009 no riacho da cidade japonesa. Foi trabalhoso preservar a matriz da rocha e o fóssil. Pra ter uma noção, o material era mergulhado, durante a noite, em um ácido especial. No dia seguinte, era cuidadosamente enxugada. Esse processo foi repetido por dois anos até os ossos começarem a se soltar da matriz. Moldes especiais foram feitos para proteger o fóssil de forma que algumas partes deste crânio foram reconstruídas sem mais problemas.

“É tão extraordinariamente bem preservado que, ao separar os ossos do crânio misturados uns com os outros, fomos capazes de construir um crânio perfeito com exceção do terço anterior do focinho”, diz Konishi. “Esta não é uma reconstrução de realidade virtual, usando software de computador. É uma reconstrução física que voltou à vida para mostrar detalhes surpreendentes e de belas condições, sem distorções”.

Via: EurekAlert