Mais uma vez, a fosfoetanolamina sintética da Universidade de São Paulo – USP-  (ou, erroneamente conhecida como “pílula do câncer”) falhou mais um vez em testes, agora feito pela Universidade de Campinas (UNICAMP). Os testes, encomendado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) comprovou a ineficácia e a impureza da pílula. Resultados anteriores já mostravam isso, reiterando que a substância tivesse um efeito de placebo nos pacientes.

Luiz Carlos Dias, professor do Laboratório de Química Orgânica Sintética (LQOS) da Unicamp, liderou os estudos para a caracterização e síntese da fosfoetanolamina. “Como sou membro do Comitê Gestor do INCT, fiquei responsável por parte do trabalho”, explica Dias. O professor notou alguns fatores intrigantes sobre as cápsulas, como a mudança de peso entre elas, apontando que não há uma padronização da dose de cada uma. “Existia uma grande variação de peso nas cápsulas da substância fornecidas originalmente pelo IQSC [Instituto de Química de São Carlos, da USP] ao MCTI”, comenta.

O peso declarado era de 500 mg por cápsula, mas foram encontrados pesos que variavam entre 200 a 509 mg. Além disso, a pureza das cápsulas eram totalmente contestável. Além da fosfoetanolamina sintética, também foram encontrados 34,9% de fosfato de cálcio, magnésio, ferro, zinco e bário; 32,2% de fosfoetanolamina, 18,2% de monoetanolamina  e 3,9% de fosfobisetanolamina.

Como resultado final, as cápsulas se mostraram ineficientes na diminuição de tumores in vivo. Nas pesquisas anteriores, também realizadas a pedido do MCTI, as cápsulas se mostraram cerca de 6.500 vezes menos eficazes do que os remédios no mercado que, dependendo do estágio em que o câncer se encontra no paciente, chega a diminuir em 100% os tumores. Além disso, também não apresentou atividade citotóxica – ou seja, não foi capaz de diminuir os tumores de forma satisfatória – e também não se mostrou danoso à saúde humana no sentido de intoxicar o paciente.

O professor Dias também ressalta que, assim como nas pesquisas anteriores, a monoetanolamina apresentou atividade citotóxica, mas apenas uma quantidade muito elevada é capaz de se tornar antiploriferativa. Porém, mesmo assim, torna-se ineficaz quando comparada aos remédios atuais.

Nota

Na página da IQSC, a USP mantém uma nota informando que “não possui o acesso aos elementos técnicos-científicos necessários para a produção da substância, cujo conhecimento é restrito ao docente aposentado e à sua equipe e é protegido por patentes”. O criador das cápsulas, o professor aposentado Gilberto Orivaldo Chierice, inclusive foi denunciado pela USP por crime de charlatanismo.

A instituição também já havia dito que era um constrangimento estar dando ás pessoas, forçados pela Justiça, uma coisa a qual eles não sabiam o que era ou do que era feito. O sistema jurídico da instituição ficou travado de tantos pedidos e a direção decidiu fechar a produção das cápsulas. O local em que são feitas não conta com higiene e demais exigências mínimas para produzir as pílulas.

Via site da Unicamp