Desde o início dos anos 2000, as águas do Japão vem sendo dominadas por águas-vivas gigantes – e não é exagero. Um animal desses tem 2 metros de diâmetro pesa 200 quilos. As Nemopilema nomurai, ou nomura para os mais íntimos, é, na verdade, uma praga ambiental. E nós, seres humanos, somos culpados pelo seu amento de tamanho e quantidade.

Características

O primeiro registro de grande quantidade de águas-vivas gigantes nos mares do Japão foi em 1920. Em seguida, em 1958 e depois em 1995. Uma característica dos nascimentos são os pólipos, que as nomuras expelem no mar . Esses pólipos se grudam em qualquer coisa sólida e espera o mínimo de condições para que uma pequena água-viva se desenvolva desse pólipo. Esse processo de nascimento acontecia a cada quarenta anos. Porém, desde 2002, todos os anos esses pólipos expelem águas-vivas que crescem absurdamente.

Durante a pescaria nas costas japonesas, é comum que as redes de pescas venham lotadas de nomuras e de peixes mortos, envenenados pela substância que elas expelem. Além disso, são capazes de machucar seres humanos. Em 2009, uma estação nuclear precisou fechar por vários dias após uma invasão de nomuras na tubulação usada para resfriar os reatores.

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                                Foto: Asia Nikkei

As razões para os problemas

As nomuras estão assim por culpa nossa. A National Geografic apresentou, em um dos episódios da série Explorer, algumas constatações sobre este grande problema nas águas japonesas a partir de uma pesquisa realizada pela Universidade de Queensland:

  1. As medusas em geral, que são as águas vivas arredondadas, são animais extremófilos, ou seja, se adaptam muito bem a qualquer ambiente com condições extremas ou mudanças extremas;
  2. Os grandes causadores da mudança dos ciclos de vida das medusas, que saíram de nascimentos a cada quarenta anos para nascimentos anualmente, são a sobrepesca e o aquecimento global. Pesquisas em laboratório confirmaram que mudanças bruscas no ambiente aceleram a transformação dos pólipos em medusas;
  3. A sobrepesca diminuiu as outras espécies de peixes e diminuiu a mortalidade das medusas por falta de predação. Apesar de morrerem quando ficam presas nas redes de pesca, elas desenvolveram o mecanismo que expele mais pólipos nos mar quando se setem em perigo, perpetuando a sua espécie;
  4. A construção de portos, pontes e outras estruturas dentro dos mares dão mais suporte sólidos para a instalação de mais pólipos.

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Prejuízos financeiros

A pesca nos mares japoneses se tornou uma grande fonte de prejuízo. A maioria dos peixes pescados já vem mortos e a comercialização é impossível, já que a substância venenosa causa grandes problemas no organismo humano. Algumas indústrias tentam retirar o colágeno dos animais para colocar em cosméticos. Outras indústrias já tentaram fabricar sorvete a partir desses animais.