A matéria compõe o nosso Universo de várias formas. Uma delas, a matéria ordinária, é responsável por 5% da composição do Universo. Uma parte dessa porcentagem, após simulações numéricas, está em estruturas de grande escala chamadas ‘rede cósmica’, que tem temperaturas que variam de 100.000 a 10 milhões de graus. Pesquisadores observaram essa rede por algum tempo e detectaram que a maior parte da matéria comum que achamos que está em falta no universo, na verdade, está em forma de gás quente associado com filamentos intergalácticos. Ou seja, há uma transformação da matéria no Espaço. E descobrir mais sobre isso pode mudar – e muito – a ciência espacial.

Uma galáxia se forma quando a matéria comum entra em colapso e depois relaxa, tornando-se mais fria. Entender esse processo foi um dos passos para descobrir de que forma a matéria comum que não percebemos – conhecidos como ‘bárions perdidos’ – pode ser encontrada. Para isso, astrofísicos da Universidade de Genebra (UNIGE) tiveram um grande interesse no conjunto de galáxias conhecida como Abell 2744. Através do telescópio espacial XMM, eles observaram que, pela ação da gravidade, a matéria é concentrada em estruturas filamentosas formando uma rede de nos chamado ‘teia cósmica’. Observando os filamentos dessa teia, os pesquisadores encontraram gases muito quentes – até 10 milhões de graus. Dessa forma, sabemos que não há matéria faltando no Universo, há matéria se modificando para a forma de gás.

“Agora temos que verificar se a descoberta feita na Abell 2744 é aplicável em todo o Universo. Isto consistirá em estudar estas regiões filamentosas em detalhes e medir sua distribuição de temperatura e os vários átomos que as compõe, a fim de compreender quantos elementos pesados existem no universo”, diz Dominique Eckert, um dos cientistas do projeto.

Se eles conseguirem medir os átomos nesses filamentos serão capazes de estimar o número de núcleos formados por estrelas pesadas desde o início do Universo. Para isso, a Agência Espacial Americana (ESA) está desenvolvendo um novo telescópio espacial, chamado Athena, que estará operacional em 2020. Os pesquisadores estão esperançosos em saber, também, se conseguirão em fim medir a quantidade de matéria no espaço, já que agora sabem que não há nada faltando.

Fonte: Science Daily