Você não leu errado: a pesquisadora Emily Jennings, do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade de Cincinnati, teve a peculiar ideia de utilizar o RNA de uma barata para ajudar no entendimento da transmissão e males, em nível genético, de estresse em mulheres grávidas para seus fetos. Ela sequenciou o genoma de uma espécie de barata para servir como molde do sistema genético que será aplicado em humanos.

A barata, entretanto, nada se assemelha àquelas que temos o desprazer de encontrar em casa. Trata-se da espécie Diploptera punctata ou barata imitadora de besouro. Essa espécie é nativa das ilhas Polinésias e habitam principalmente as florestas tropicais. Esta é a primeira vez que esse inseto é usado no campo de pesquisa genéticas.

O trabalho consistiu na extração do ácido ribonucleico ou RNA, presente nas células de todos os seres vivos. Desse RNA, ela desenvolveu um transcriptoma, que consiste numa leitura de genes de uma determinada célula e, assim, examinar o que ocorre durante as diferentes fases da gravidez da barata. A partir disso, ela vai comprar as observações realizadas nas baratas com a gravidez de vários mamíferos e de humanos.

“Quando eu comecei este projeto, há dois anos e meio, poderíamos ter tido um máximo de 80 genes sequenciados para esse animal. Agora nós encontramos 11 mil possíveis genes [para a causa em questão]. Estamos no processo de atribuição de funções e nomes das funções, comparando sequências de genomas, armazenando em banco de dados. Estamos à beira de criar um novo recurso interessante para examinar como uma mãe [barata] alimenta seus bebês antes do nascimento, um processo tipicamente associado com os mamíferos”, diz Jennings.

A pesquisadora Emily Jennings

Com esses resultados, a pesquisadora vai conseguir trabalhar em cima de diversas questões. Em primeiro lugar, sobre como o estresse na gravidez afeta a vida da mãe e do feto geneticamente. Sabemos que mulheres grávidas estão mais expostas a sentimentos diversos através de vários fatores como depressão, ansiedade, medo etc. Tudo isso pode comprometer a gravidez e a saúde mental da mulher. E, se compromete a gravidez, a vida do feto corre risco. Além do mais, ainda há a questão de que se o estresse sentido pela mãe vai deixar sequelas no feto.

Em segundo lugar, quase não sabemos muito sobre as baratas e muito menos sobre como ocorre a alimentação dos filhotes e detalhes sobre as fases da gravidez. Isso vai gerar uma descrição a mais sobre a espécie e gerará mais conhecimento sobre a vida dos insetos.

Via: EurekAlert