As libélulas, famosas por estarem presentes em vários quintais e jardins e pelo colorido interessante de suas asas delicadas, podem ser capazes de prever quando algum acidente nuclear for acontecer. Isso mesmo. Pesquisadores do Centro de Investigação Athena em Xanthi, Grécia, apostam que as bases das asas das libélulas é um medidor importante de material radioativo no ambiente após um acidente nuclear, além de ser um indicador para acidentes futuros.

A pesquisa nasceu da preocupação com as pessoas que moram em áreas muito próximas a de usinas nucleares. Funcionários dessas usinas contam com aparelhos como que medem em tempo real a exposição radioativa. Tal aparelho não é usado pelos moradores, logo, determinar com exatidão os efeitos de uma liberação acidental de material nuclear é praticamente impossível.

Pensando nisso, Nikolaos Kazakis e sua equipe procuraram uma forma de tentar investigar a radiação de acidentes nucleares em matérias como um prego ou um celular. Ao pensar melhor, Kazakis desistiu que estudar esses objetos e voltou sua atenção para os insetos. “Os insetos estão em todos os lugares. Eles só vivem por algumas semanas para que você não tenha que fazer algumas correlações para a radiação natural quando quiser medir a dose acidental”, conta Kazakis.

Então, os pesquisadores decidiram pegar asas de libélulas e de moscas para ficarem expostos a diferentes níveis de radiação. O trabalho concluiu que a radiação ejeta elétrons de alguns átomos nas asas deixando alguns “buracos”, a ausência de um elétron que caracteriza um nível elevado de radiação nuclear no ambiente.

Embora muito interessante, o trabalho não torna as libélulas extremamente úteis para observações mais sérias sobre níveis de radiação em ambientes castigados com algum tipo de acidente nuclear. “Clinicamente, é desejável ser capaz de distinguir entre indivíduos expostos a menos que 1 Gy [Gy é a medição de cinza nuclear] e mais do que cerca de 2 Gy para suportar triagem em casos de emergência”, afirma Kazakis. Uma outra hipótese é de que a luz solar também possa fazer o mesmo efeito da radiação tornando insetos que costumam sair durante o dia inúteis para esse tipo de medição.

Apesar desses detalhes, Kazakis e sua equipe tem esperanças nas criaturas capazes de gravar altas doses de radiação em suas estruturas e em escalas totalmente diferentes dos instrumentos utilizados normalmente. Os planos futuros é fazer medições nas asas das libélulas em ambientes escuros para testar a hipótese do Sol. E, além disso, há um outro candidato que adora esses ambientes escuros livres do Sol e que será um dos próximos a serem testados: as baratas.

Via New Scientist