A equipe do Curiosity, da Nasa, publicou estudo comprovando que, há bilhões de anos atrás, Marte era o lar de imensos lagos. Usando dados fornecidos pelo robô, a equipe constatou que a água ajudou a depositar sedimentos em camadas que formaram a base para o monte Sharp, que encontra-se no meio da cratera Gale, onde o robô Curiosity está há cerca de 3 anos.

O cientista do projeto, Ashwin Vasavada, explica mais sobre a descoberta em matéria no site da Nasa: “Observações do Curiosity sugerem que uma série de fluxos de longa duração e lagos existiram em algum ponto entre cerca de 3,8 a 3,3 bilhões de anos atrás, depositando sedimentos que lentamente construíram as camadas inferiores do monte Sharp”. Vasavada é co-autor do artigo da descoberta, publicado na revista Science no dia 9.

Segundo a matéria, esta nova constatação contribui ainda mais para a história de Marte como um planeta molhado, tanto no passado como, possivelmente, no presente. Recentemente, a Nasa anunciou ter encontrado evidências de que água corrente e salobra estaria em pleno fluxo no planeta vermelho.

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“O que pensávamos que sabíamos sobre água em Marte é constantemente posto à prova”, disse Michael Meyer, cientista chefe do programa de exploração em Marte. “É claro que a isso ocorreu há bilhões de anos atrás, mas era muito semelhante à Terra naquele tempo do que hoje em dia. Nosso desafio é descobrir o mais claro possível como era Marte naquele tempo e o que aconteceu com aquele Marte cheio de água”.

Algumas proposituras dos cientistas eram de que a cratera Gale havia preenchido camadas de sedimentos por conta da seca, dando a entender que sedimentos acumulados de poeira e arreia eram arrastadas pelo vento. Poucos acreditavam na possibilidade de que as camadas de sedimentos foram depositados por lagos antigos. Agora, os últimos resultados do Curiosity apontam que os cenários mais úmidos de Marte depositaram esses sedimentos na base do monte Sharp, processo que ocorreu principalmente por rios e lagos antigos ao longo de um período de, pelo menos, 500 milhões de anos.

Os resultados também apontam que corpos de água parada em forma de lagos permaneceram por muito tempo possivelmente pela repetida expansão e contração durante centenas de milhões de anos. Esses lagos depositaram sedimentos o suficiente para formar a porção inferior da montanha.

Um dado curioso mostra que a espessura de depósitos sedimentares na cratera Gale indicam que a interação com a água poderia se estender ainda mais alto, a cerca de 800 metros acima do chão da cratera. Ou seja, um lago profundíssimo. O interessante é que, acima de 800 metros, o monte Sharp não apresenta nenhuma evidência de estratos hidratados, que sinalizam a presença de água.

Fonte: Nasa