Os astrônomos já usaram diversos métodos para descobrir planetas, mas, o mais bem sucedido até agora é a fotometria de trânsito. Esse método mede mudanças no brilho de uma estrela causado pelo o trânsito de um planeta, um mini-eclipse.

O telescópio Kepler, na Nasa, tornou-se o mais bem sucedido caça-planetas com mais de mil descobertas até agora e muito mais esperando por confirmação. Segundo análises publicadas recentemente, a grande parte pode sim abrigar algum tipo de vida. Do modo em que caminha esse cenário, os pesquisadores Michael Hippke e Daniel Angerhausen argumentam que novas missões estão sendo preparadas para descobrir luas planetárias, mundos com anéis como Saturno e grandes coleções de asteroides.

“Esperamos uma enxurrada de descobertas dessas novas missões, por isso queremos ter uma ideia das possibilidades para que os cientistas possam aproveitar ao máximo os dados”, disse Angerhausen.

Tanto a Nasa quanto a ESA estão contribuindo para os sucessores do Kepler. O Transiting Exoplanet Survey Satelllite (TESS), da Nasa,  será lançado até 2018 e promete ser a primeira pesquisa de trânsito avançada. Ao longo de dois anos, o TESS irá acompanhar cerca de 200.000 estrelas próximas. A ESA irá lançar o Planetary Transitis and Oscillations of Stars (PLATO) via satélite, que está previsto para começar uma missão de seis anos em 2024 e irá procurar em torno de mais de um milhão de estrelas espalhados pelo universo.

Júpiter e Saturno levam mais de 10 anos para orbitar o sol. Mundos similares a esses só poderão transitar uma vez durante ambas as missões. Se, como Júpiter, o planeta tiver luas grandes, os trânsitos poderão ser captados e aparecer nos dados. “Nós não temos uma detecção clara, e ainda não somos capazes de contar as luas dos planetas, mas as observações mostram que as luas podem ser grandes aliadas na detecção dos planetas”, explica Angerhausen.

Um segundo estudo, publicado em setembro deste ano, explorou a possibilidade de detecção de asteroides presos em zonas orbitais estáveis chamadas de Pontos de Lagrange. Nesses locais, a força gravitacional de um planeta se equilibra com a do sol e prendem o asteroide em sua órbita por cerca de 60 graus. Em nosso Sistema Solar, o maior exemplo ocorre com Júpiter e o cinturão de asteroides, também chamados de asteroides troianos, em que 6 mil objetos reuniram-se em dois grupos graças a força gravitacional do planeta.

O mesmo fenômeno ocorre em outros sistemas planetários e os pesquisadores combinaram as observações do Kepler com mais de mil estrelas para caçar corpos presos a forças gravitacionais de planetas. Ainda não analisados, os dados mostraram um sinal sutil correspondente a objetos presos em dois Pontos de Lagrange em vários planetas. “Nós estamos mostrando, com cautela, que é possível detectar asteroides troianos, mas vamos esperar por melhores dados do TESS e do PLATO e de outras missões”, finalizou Hippke.

Fonte: Nasa