Pesquisadores do Centro Médico Universitário de Ljuljana, na Eslovênia, encontraram novas evidências entre o Zika vírus e a microcefalia. Eles descreveram o caso de uma gestante que apresentou febre e erupções cutâneas no final do primeiro trimestre.

Ela vivia no Brasil e, após realizar uma ultrassonografia durante as 29 semanas de gravidez, descobriu que seu feto era portador de microcefalia. A gestante interrompeu a gravidez e o feto passou por necrópsia, revelando uma quantidade imensa de vírus em algumas regiões de seu cérebro.

O artigo fala de que a mulher, europeia, de 25 anos, veio ao Brasil em 2013 e voltou para a Europa com 28 semanas de gestação em 2015. Enquanto estava no Brasil, em Natal, Rio Grande do Norte, ela apresentou os sintomas do Zika vírus. Ao voltar para casa, ela procurou um centro médico durante as 29 semanas de gravidez e ficou constatado que seu feto tinha microcefalia.

Ela interrompeu a gravidez e o feto passou por necropsia. O cérebro do feto pesava 84 gramas e havia muitas fissuras. Os médicos observaram que o córtex estava calcificado, além de ter áreas do cérebro que estavam muito granuladas. Além disso, várias células do cérebro, os neurônios, estavam rompidas e partículas do vírus Zika foram encontradas nas vesículas das células cerebrais danificadas.

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                  Partículas do vírus encontradas em neurônios danificados

Os médicos conseguiram obter uma sequência completa do genoma do vírus. A maior parte do genoma era remanescente da Polinésia Francesa (genoma KJ776791), mas havia traços de um genoma de Zika vírus detectado em São Paulo no ano passado (genoma KU321639), do Camboja (genoma JN860885) e da Micronésia (genoma EU545988).

O artigo salienta que essa é uma transmissão vertical de Zika vírus com um caso de microcefalia. O vírus também foi, anteriormente, encontrado no líquido amniótico de dois fetos com microcefalia, fato que caracteriza uma transmissão intra-uterina do vírus.

O trabalho também dá um norte para onde as pesquisas futuras precisam focar: “A localização de sinal de imunofluorescência e a aparência morfológica das calcificações, que se assemelhava a estruturas neurais destruídas, indicam uma possível localização do vírus nos neurônios. O dano pode causar o aprisionamento do desenvolvimento do córtex cerebral na idade embrionária de 20 semanas”, diz o artigo.

Os pesquisadores completam o artigo dizendo que “A sequência do genoma de ZIKV [Zika vírus] que foi recuperado neste estudo é consistente com a observação de que a presente estirpe no Brasil surgiu a partir da estirpe asiática”. Eles argumentam que uma mutação fez com que o vírus se adaptasse ao nosso país. “Mais pesquisas são necessárias para compreender melhor as potenciais implicações destas observações”, concluem os pesquisadores.

Fonte: Jornal de Medicina da Inglaterra