Voos espaciais podem ter muitas aplicações que vão além da astronáutica. Pesquisadores do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA está empregando os mesmos métodos de sequenciamento e análise de examinação de bactérias durante a montagem de naves espaciais em um estudo que investiga micróbios possivelmente associados a históricos de câncer de mama. A técnica, antes empregada para combater a contaminação de outros mundos com microrganismos terrestres, agora está sendo empregada para salvar vidas na Terra.

“Aplicamos técnicas de proteção planetárias no primeiro estudo com microrganismos no líquido ductal da mama humana”, explica Parag Vaishampayan, cientista de biotecnologia e proteção planetária do JPL.  A pesquisa consiste em analisar bactérias encontradas em mulheres que sofrem ou sofreram de câncer de mama com mulheres que não têm a doença.

Os pesquisadores estudam uma secreção liberada naturalmente pelas glândulas mamárias. As substâncias retiradas de mulheres com câncer de mama apresentaram a presença de algumas bactérias, vindas do sistema ductal da mama. Este é o primeiro estudo que tenta encontrar relações entre o tecido mamário e essas bactérias.

“Nós ainda não sabemos o suficiente sobre as diferenças entre um seio saldável e outro com câncer […]”, disse a Doutora Susan Love, co-autora da pesquisa. “No entanto, todos os cânceres de mama começam nos dutos de forma tão clara que [estudar os dutos] é fundamental para descobrir o que faz com que o câncer de mama ocorra e como podemos erradicar essa doença”.

Após juntar um grupo com 48 mulheres – 23 saudáveis e 25 com histórico da doença -, as instalações do JPL da NASA foram utilizadas para examinar as bactérias encontradas. Essas instalações servem para analisar as peças de foguetes, sondas e naves espaciais. Os pesquisadores examinam cada peça e se certificam que microrganismos terrenos não vão nem contaminar outros locais do espaço e nem contaminar os próprios astronautas ou eventuais amostras coletas no espaço.

As técnicas de isolamento, análise de DNA ou RNA e testes comportamentais do JPL serviram muito bem para essa pesquisa. “A colaboração entre especialistas em tecnologia espacial do JPL e médicos pesquisadores continuarão a impulsionar descobertas inovadoras”, comenta Vaishampayan.

Este trabalho é um dos primeiros resultados da NASA para a ideia de tornar as tecnologias feitas na agência uma utilidade para a saúde. Recentemente, peixes douradores foram criados na Estação Espacial Internacional (ISS) para entender a perda óssea dos astronautas. Os resultados irão ajudar tanto missões tripuladas futuras para locais distantes como Marte quanto as pesquisas para fármacos e tratamentos para osteoporose.

Via Site da NASA