Cientistas da missão K2, que reaproveitam o telescópio espacial Kepler da Nasa, descobriram fortes evidências de um pequeno objeto rochoso está  sendo dilacerado em torno de uma estrela anã branca.

“Estamos, pela primeira vez, assistindo a uma ‘miniatura de planeta’ sendo dilacerado por intensa gravidade, sendo vaporizado pelas luz das estrelas e chovendo material rochoso para sua estrela”, disse Andrew Vanderburg, do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica, principal autor de artigo sobre as observações publicadas na revista Nature.

Esta descoberta confirma uma teoria antiga de que as anãs brancas são capazes de canabilizar possíveis planetas remanescentes que sobreviveram dentro de seu sistema solar.

Estrelas com idade semelhante a do nosso sol incham em gigantes vermelhas e, gradualmente, perdem cerca de metade de sua massa, encolhendo de seu tamanho original para aproximadamente o tamanho da Terra. O ‘mini planeta’ que está sendo sugado,  um objeto formado a partir de poeira, pedras e outros materias, tem o tamanho de um grande asteroide e é o primeiro objeto planetário a ser confirmado em trânsito de uma anã branca.

As observações iniciaram em 30 de maio de 2014 e duraram até 21 de agosto de 2014. O K2 começou a observar um pedaço de céu na constelação de Virgem, medindo a mudança minúscula no brilho de uma anã branca distante. Todas as vezes em que um objeto passa na frente de uma estrela que está na vista do telescópio é gravado por sistemas do K2. Logo, a equipe da missão encontrou um padrão incomum envolvendo a anã vermelha e o mini planeta, porém suas características eram vagamente familiares: os pesquisadores logo lembraram da teoria e começaram a comparação com os dados.

“O momento de ‘eureka’ da descoberta veio na última noite de observação, com uma súbita percepção do que estava acontecendo ao redor da anã branca. A forma e a mudança da profundidade do trânsito foram provas inegáveis”, conta Vanderburg.

“Durante a última década, suspeitávamos que anãs brancas estavam se alimentando de restos de objetos rochosos e este resultado pode ser a arma fumegante que estamos procurando”, disse Fergal Mullaly, cientista da equipe da missão K2. “No entanto, ainda  há muito trabalho a ser feito para descobrir a história deste sistema”.

“Esta descoberta destaca o poder e a natureza acidental de K2. A comunidade científica tem acesso total às observações do K2 e está usando esses dados para fazer uma grande variedade de descobertas únicas em toda a gama de fenômenos astrofísicos”, conclui Steve Howell, cientista do projeto K2.

Fonte: Nasa