2006 foi um ano de barulho na comunidade científica: pesquisadores apresentaram o Tiktaalik roseae, um tipo de “peixe com pés”. Um fóssil muito bem preservado, datado de 375 milhões de anos, foi encontrado no Ártico canadense. Pesquisadores haviam encontrado um elo importante da evolução que podia mostrar como os tetrápodes (o que são, hoje, os vertebrados) rastejaram da água e ganharam o mundo.

O fóssil foi encontrado em 2004 e apresentava características comuns dos tetrápodes.  Foi considerado um fóssil de transição. É uma mistura interessante, com escamas e barbatanas, cabeça achatada, início de pescoço, ombros, cotovelos e pulso.

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Na época, a ideia de “elo perdido” não era bem visto e aceito no mundo científico por conta da grande quantidade de fósseis com características semelhantes entre uma espécie e outra. Porém, o tiktaalik preenchia muito bem a lacuna da evolução dos tetrápodes.

Encontrando tiktaalik

As confusões envolvendo o achado não foram poucas: outras três espécies também era dados como “elos perdidos”: o Panderichthys, o Ichtyostega e o Acanthostega (calma, vai sair texto sobre eles também no Ciência e Astronomia). Os pesquisadores elaboraram um plano para encontrar mudanças de adaptação entre essas três espécies já encontradas. A jogada dos pesquisadores foi simples: fósseis são encontrados em rochas ou solos. O Panderichthys foi encontrado em rochas com aproximadamente 375-370 milhões de anos. Os outros dois forma encontrados em rochas com, mais ou menos, 365 milhões de anos. Entre esse tempo, eles calcularam que uma outra forma de vida tenha vivido quase nesse intervalo de tempo.

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                               Panderichthys

Ichthyostega_model

                                       Ichtyostega

Acanthostega_model

                                Acanthostega

Então, eles rumaram para a Ilha Ellesmere, no Canadá. Nessas áreas são encontradas formações rochosas com idade em torno dos 368 milhões de anos. Escavando aqui e ali, eles encontraram o que queriam: 30 exemplares de tiktaalik, sendo que três estavam quase completos com crânio, região da cintura peitoral e nadadeiras articuladas.

A diferença deles para as outras espécies estão em alguns detalhes. Ele possuía um crânio de 17 a 31 centímetros, com um comprimento total de corpo de 85 centímetros. As adaptações terrestres deles eram maiores que as das outras três espécies. A mais significante estava no crânio, que não possuía o opérculo, a região que protege as brânquias dos peixes. Dessa forma, a cabeça ganhou mais movimentação. Essas mudanças podem ter sido possíveis graças às mudanças na alimentação e na maneira de respirar. Assim, eles ganharam a denominação de “quase tetrápodes”.