Durante a reunião da Sociedade para Biologia Integrativa e Comparativa realizada em 7 de janeiro de 2010, o pesquisador da University of South Florida, Sidney K. Pierce, anunciou uma lesma do mar que apresentava clorofila e a capacidade de realizar fotossíntese. A notícia trouxe à luz da mídia e do conhecimento popular a cleptoplastia, um processo de simbiose que ‘rouba genes’ do hospedeiro.

O animal

A lesma Elysia chlorotica habita a costa leste da América do Norte. Este foi o primeiro animal a mostrar a capacidade de realizar fotossíntese após ingerir a alga Vaucheria litorea. Essa capacidade não é hereditária; para ter essa característica, a lesma precisa comer a alga.

Eles são hermafroditas e sua cor varia com a quantidade de clorofila no tubo digestivo. Os jovens apresentam uma coloração marrom com manchas vermelhas e, quando ingerem  a alga, essa coloração fica verde. A incorporação dos cloroplastos dentro das células da lesma permite que elas realizem a fotossíntese, processo de obtenção de alimento. A clorofila utilizada é a forma mais comum da substância.

Dentro do animal, os cloroplastos são mantidos em uma estrutura chamada vacúolos, que ficam ativos e realizam a fotossíntese. Os genes da alga entram em contato com o DNA da lesma e consegue fazer reparos nos cloroplastos, deixando-os ativos. Esses genes são passados para outros indivíduos, mas só conseguem trabalhar se a lesma se alimentar da alga.

O processo

A cleptoplastia é um processo simbiótico. Plastídeos ou cloroplastos de algas são roubados por um hospedeiro durante um processo alimentar. A alga é parcialmente digerida, apenas restando seus plastideos ou cloroplastos, que acabam por fazer a fotossíntese no predador.

Outra espécie, a Elysia crispata, é tanto hétero quanto autotrófica – ou seja, tanto ptoduz o próprio alimento através da fotossíntese quanto caça o alimento –. Os indivíduos mais jovens não fazem tanta fotossíntese quanto os indivíduos mais velhos, que ficam muito mais dependentes da fotossíntese roubada.