Frederick Griffith era médico militar em 1928. Nascido 47 anos antes, ele pesquisava sobre a bactéria Streptococcus pneumoniae. Essa bactéria causa pneumonia em humanos e, na época, pouco se sabia sobre ela. Um experimento realizado em camundongos, porém, acabou virando uma descoberta genética, que mudou tudo o que sabíamos sobre o DNA. Ao usar linhagens diferentes dessa espécie bacteriana em camundongos, Griffith descobriu que o DNA era o nosso material genético, o lugar em que estão guardadas as nossas características e nossas histórias passadas.

A bactéria S. pneumioniae, causadora de pneumonia em humanos, é letal em camundongos. Porém algumas linhagens evoluíram para serem menos virulentas – ou seja, serem menos capazes de causar doenças e mortes. Essas linhagens não matam os camundongos, e Griffith usou uma linhagem de cada: uma virulenta e outra não-virulenta.

As bactérias de S. pneumoniae virulentas apresentam uma capsula de polissacarídeos  e é letal para a maioria dos animais de laboratório, como os camundongos. Por conta da sua capa de polissacarídeos, elas contêm um aspecto liso. Griffith chamou essa linhagem de S. A outra linhagem, não letal, apresentava um aspecto rugoso pela falta da capsula. Essa linhagem foi chamada de R.

O que houve depois foi algo totalmente surpreendente: Griffith preparou injeções com as bactérias e pegou dois camundongos. O camundongo que recebeu a injeção de bactérias da linhagem S morreu e o que recebeu a injeção com a linhagem R sobreviveu, como o esperado. Porém, ele decidiu matar a linhagem S e aplicar em um camundongo: ele sobreviveu. Mas quando essa linhagem S morta foi misturada com a linha R viva, o camundongo morreu. Afora isso, as bactérias R tinham criado ao redor de si uma capsula de polissacarídeos, tal qual a linhagem S. O quê havia acontecido?

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Incrivelmente, as bactérias virulentas haviam ‘ressuscitado’. Griffith chegou a conclusão de que os restos celulares da linhagem S morta havia convertido as bactérias R vivas em formas virulentas e letais. A compreensão disso veio em 1944 após experimentos de Oswald Avery. Avery repetiu o experimento de Griffith e obteve o mesmo resultado. Entretanto, ele começou a pensar numa forma de determinar que tipo de substância faziam a linhagem R se transformar em S. E como fazer isso? Destruir, quimicamente, as principais categorias de substâncias presentes do extrato das células mortas, uma de cada vez.

O primeiro candidato foi a capsula de polissacarídeos. Os polissacarídeos foram destruídos e o experimento foi refeito. Resultado deu negativo, não eram os polissacarídeos que transformavam a linhagem viva em virulenta. Degradaram as proteínas e o RNA: negativo também. Porém, quando eles fizeram a adição da Dnase, uma enzima que degrada o DNA, o resultado: a linhagem morta parou de converter a linhagem viva em virulenta. Era o DNA que conferia virulência, substituindo seus contrapartes que conferiam não-virulência.

Transformação

Hoje, chamamos esse processo de Transformação: é a capacidade que algumas bactérias têm de incorporar trechos de DNA dispersos no ambiente. Dessa forma, sua constituição genética muda e elas são ditas transformadas. Essa técnica é usada pela Engenharia Genética para a introdução de genes em outros seres vivos. Dependendo das condições, qualquer tipo de DNA proveniente de outros seres vivos podem ser incorporados ao DNA bacteriano.

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