Uma cápsula selada e enviada para o espaço, cheia de fungos e bactérias, vai ajudar o Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA a entender os malefícios de microrganismos para a saúde humana no espaço. Este é mais um de uma série de estudos comandados por Kasthuri Venkateswaran. Ele pretende descobrir mais sobre como a vida terrestre se comporta no espaço – tanto os astronautas quanto os pequenos seres.

Venkat – uma forma mais simples de dizer o sobrenome do cientista – utiliza os estudos sobre comportamento da vida terrestre no espaço para diversas aplicações. Uma dessas aplicações é a saúde dos astronautas no espaço. Para voos de longa duração, essa é uma questão bastante importante e prioritária.

A importância de tais estudos apareceu em outubro de 2015, quando um filtro de ar da Estação Espacial Internacional (ISS) da NASA voltou cheio de Corynebacterium, um microrganismo causador de infecção respiratória, e o Proponibacterium, causador da acne. Esses resultados fizeram parte do Projeto Rastreamento Microbiano 1.

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Placa de Petri mostrando o material coletado no filtro de ar da ISS em 2015

A segunda parte desse projeto, a cápsula selada com fungos e bactérias que caiu no Oceano Pacífico em 11 de maio, agora vai estudar como esses microrganismos encontrados no filtro da ISS e outros microrganismos poderiam se mostra maléficos aos astronautas.

Além da parte maléfica dos microrganismos, a parte benéfica também é explorada. Um estudo recente na estação espacial Micro-10 analisou se fungos enviados por Venkat e sua equipe produziriam novos compostos que poderiam ser usados para fins médicos. A ideia é de que, por conta do stress que ambientes de microgravidade geram, os fungos seriam capazes de dar origem a novas substâncias com aplicações até para o tratamento do câncer.

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Fungos que participaram da última parte do projeto e chegaram no dia 11 de maio

No próximo voo da SpaceX, previsto para julho, Venkat e sua equipe irão enviar oito fungos diferentes. Esses fungos foram isolados próximo da área da usina nuclear de Chernobyl, local do acidente devastador na Ucrânica em 1986. Estes fungos, únicos, apareceram após o acidente e cresceram em direção à fonte de radiação.

“Estamos enviando estes fungos para a estação espacial para ver se eles produzem novos compostos que possam ser utilizados como moléculas de terapia de radiação”, explica Venkat.

Venkat é Ph.D pela Universidade de Hiroshima, Japão, e se dedica a Astrobiologia (principalmente a parte do comportamento da vida terrestre no espaço) desde 1996. Ele trabalhou com vida oceânica e catalogou vários microrganismos e tem revolucionado a área até então. Agora, ele também se dedica a colaborar com os jovens cientistas da atualidade. “Os maiores trunfos para a minha carreira são meus alunos e pós-doutores”, conta orgulhoso Venkat, que irá publicar o resultado da segunda parte do Projeto Rastreamento Microbiano 1 em breve.

Via site da NASA