Ao pesquisar 10 exoplanetas semelhantes a Júpiter, uma equipe da Nasa conseguiu resolver um mistério de longa data sobre o porque de alguns desses mundos terem menos água do que o esperado.  Foram utilizados dados dos telescópios Hubble e Spitzer e novos insights sobre a ampla gama de atmosferas planetárias na Via Láctea e como esses planetas são formados.

A Nasa já confirmou que, pelo menos, 2 mil planetas dentre a grande leva de planetas descobertos está orbitando uma estrela. Dentro desse conjunto, há um pequeno grupo de planetas gasosos com características semelhantes a Júpiter. Porém, estão orbitando muito perto a sua estrela, tonando grandes bolhas quentes.

Tal proximidade torna muito difícil a observação do brilho da estrela. Por conta dessa dificuldade, Hubble tem explorado alguns Júpiters quentes no passado cósmico. Alguns estudos dizem que esses planetas seguram menos água do que o previsto pelos modelos atmosféricos.

O problema foi enfrentado e solucionado fazendo com que o maior catálogo de atmosferas de exoplanetas aumentasse. Os planetas conditos nesse catálogo seguem orbitas orientadas de modo que cada planeta passe em frente de sua estrela-mãe, assim como a Terra. O estudo conseguiu alcançar um amplo espectro de comprimentos de onda de luz que reage com o infravermelho.

A diferença do raio planetário medido entre os comprimentos de onda visível e de infravermelho ajudou a indicar o tipo de atmosfera observada em cada planeta: se era turva ou clara. Um planeta nublado aparecerá maior em luz visível do que em comprimentos de infravermelho, que penetram mais profundamente na atmosfera.

Essa comparação permitiu que a equipe encontrasse uma correlação entre atmosferas nebulosas ou nubladas com a detecção de água leve: as nuvens impedem a detecção de grande parte da água contida nos exoplanetas como quem esconde um segredo valioso.

“Eu estou realmente animado para finalmente ver os dados deste grupo de planetas juntos. Esta é a primeira vez que tivemos cobertura de comprimento de onda suficiente para comparar vários recursos de um planeta para o outro. Encontramos atmosferas planetárias muito mais diversificadas do que esperávamos”, disse David Cante da Universidade de Exeter, no Reino Unido, participante do estudo.

“Nossos estudos sugerem que é simplesmente nuvens escondendo a água de olhos curiosos, e, portanto, exclui Júpiteres secos e quentes”, explica Jonathan Fortney, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz e autor do projeto. “A teoria alternativa para isso é que os planetas se formam em um ambiente privado de água, mas isso exigiria repensar completamente as nossas teorias atuais de como os planetas nascem”, conclui o pesquisador.

Fonte: Nasa