A dietilamida do ácido lisérgico (ou LSD, como é mais comumente conhecida) é considerada uma substância psicodélica. É famosa em festas de jovens, tem consumidores assíduos e seus efeitos duram pelo menos 4 horas.

Um estudo envolvendo 16 institutos de pesquisas ao redor do mundo, incluindo o Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo e o Instituto Plantando Consciência observou, pela primeira vez, como o LSD age no cérebro. Segundo o estudo, a droga é capaz de moldar certos estados psicológicos o suficiente para fazer estudos importantes sobre novas drogas para diversos problemas neurológicos.

A técnica de observação utilizada foi a neuroimagem, que foi aplicada de três formas: a rotulagem de spin arterial (ASL), nível de oxigênio no sangue (BOLD) e medidas de magnetoencefalograma (MEG). Essas três formas de neuroimagem revelaram que o LSD é capaz de criar vários efeitos psicológicos correspondentes a várias patologias.

“Este exame único e abrangente do estado do LSD representa um importante avanço na pesquisa científica com drogas psicodélicas em um momento de crescente interesse em seu valor científico e teraupêutico. Os resultados deste estudo contribuem para importantes novos insights sobre as propriedades características alucinógenas e da consciência de alteração dos psicodélicos que informam sobre como eles podem modelar certos estados patológicos e potencialmente tratar outros”, afirma o estudo.

As análises usando ASL contou com a participação de 15 voluntários e todos relataram alucinações visuais com os olhos fechados e várias alterações na consciência durante o uso da droga. Para as análises MEG, foram utilizados 14 voluntários.

Várias frequências neurais foram identificadas, mostrando uma oscilação neural muito forte durante o uso do LSD. Além disso, outros resultados mostraram que, no futuro, o LSD pode ser um medicamento poderoso para tratar problemas como a depressão.

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Circulação sanguínea no cérebro: primeira fileira com o                     placebo, segunda fileira com o LSD

 

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Condições cerebrais (laranja é aumento, roxo é diminuição): primeira fileira placebo, segunda fileira LSD

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Demais áreas do cérebro (laranja aumento, azul diminuição)

Os resultados mostraram uma nova perspectiva na atividade cerebral durante o uso do LSD. A droga simula muito bem alucinações visuais, mudanças profundas na consciência e as correlações neurais do estado psicodélicos. Biologicamente, a droga instabilizou o córtex visual primário, facilitando o aparecimento de alucinações geométricas através de padrões de excitação neural.

O estudo também debate sobre como que drogas psicodélicas são capazes de alterar tão profundamente a consciência humana. Os resultados para os efeitos visuais não foram relacionados com as interferências na consciência, dando a entender que são dois processos diferentes.

Um fato interessante foi que, ligando alguns resultados , sintomas como “algumas coisas sem importância adquiriram um novo significado” e “coisas em meu ambiente tinham um significado novo ou totalmente diferente” foram identificados. Estes são dois fatores principais para a esquizofrenia. O estudo também sugere que o estado psicodélico e a psicose sejam ainda mais profundamente debatidos e estudados. Porém, o uso de LSD pode ajudar pesquisas futuras para a determinação de características mais distintas entre os dois problemas.

O estudo também debate sobre a necessidade de se conhecer melhor como medicamentos atuam no cérebro utilizando montagens com drogas psicodélicas. As drogas psicodélicas podem quebrar distúrbios, desmantelar padrões de atividades e dar perspectivas totalmente novas e abrir os horizontes para novos medicamentos e tratamentos. É uma verdadeira revolução na neurologia, ainda cheia de tabus.

Via PNAS