O planeta vermelho tem uma atmosfera fina, uma camadinha rica em dióxido de carbono. Tão fina que a água congela ou evapora muito rapidamente. Em estudos realizados ao longo desse ano, a Nasa descobriu que Marte, no passado, era quentinha e úmida como a Terra.

Para isso, a camada de dióxido de carbono na atmosfera era bem mais grossa, sugerindo um clima mais temperado. Porém, por muito tempo, a pergunta era: o que aconteceu com essa camada de dióxido de carbono?

Já sabemos que o vento solar é o grande responsável pela perda de atmosfera de Marte tanto no passado quanto no presente – milhares de toneladas são arrancados diariamente. Porém, os cientistas não têm encontrado carbonato, uma forma de carbono, capturado pelas rochas no planeta. Além disso, eles encontraram carbonos muito pesados e muito leves na atmosfera moderna marciana, deixando-os muito intrigados. Uma equipe do Instituto de Tecnologia da Califórnia e do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da Nasa parecem ter encontrado a explicação.

Segundo o estudo, há 3,8 bilhões de anos, Marte tinha uma atmosfera moderadamente densa. Essa atmosfera – com pressão mais ou menos igual ao da Terra – , poderia ter evoluído para algo igual a nossa atmosfera, porém, dois mecanismos podem ter sido os responsáveis pelo excesso de dióxido de carbono na atmosfera marciana: a pulverização catódica e a fotodissociação ultravioleta.

A pulverização catódica é uma forma do carbono escapar da atmosfera. Envolve interações entre o vento solar e a atmosfera superior. Uma missão da Nasa detectou que cerca de 100 gramas de carbono são perdidas a cada segundo nos dias de hoje. O segundo processo, a fotodissociação ultravioleta, golpeia as moléculas de dióxido de carbono na atmosfera superior usando luz ultravioleta, dividindo em monóxido de carbono e oxigênio. O estudo também concluiu a razão pelo qual o dióxido de carbono é tão rico na atmosfera: é mais provável o monóxido de carbono escapar da atmosfera do que o dióxido.

“Isto resolve [o que seria] um paradoxo de longa data. A suposta atmosfera muito espessa parecia implicar que fosse necessário esse grande reservatório de carbono, mas a eficiência do processo de fotodissociação UV significa que não há qualquer paradoxo. Você pode usar processos de perda normais [de carbono] como nós entendemos, com quantidades detectadas de carbono e encontrar um cenário evolutivo para Marte que faz sentido”, disse Bethany Ehlmann, do JPL.

Fonte: site da Nasa