A navegação espacial tem tomado espaço na Ciência com grande repercussão há mais de seis décadas, e ao longo deste caminho, alguns fatos na história do voo espacial fizeram a equipe das missões “roerem as unhas” quando o resultado poderia se tonar uma iminente catástrofe.

De prováveis missões espaciais tripuladas condenadas para uma incrível aterrissagem em um outro corpo celeste, vamos explorar alguns dos mais terríveis “quase acidentes” que ocorreram dentro da história do voo espacial.

Fora de controle na órbita da Terra

Era 16 de março 1966, Neil Armstrong fez seu primeiro voo ao espaço com David Scott, a bordo da espaçonave Gemini 8, a sexta missão tripulada do programa Gemini – o precursor do programa Apollo.

A missão foi destinado para a prática de técnicas de acoplamento em órbita da Terra, com um veículo não tripulado. Não muito tempo após o início da missão, as coisas começaram a dar errado.

Várias horas após o lançamento, Gêmeos 8 atracou com o Agena Target Vehicle – usado como veículo alvo com o objetivo de desenvolver e praticar atividades de aproximação e acoplamento em órbita.

O primeiro acoplamento espacial sempre foi bem sucedido. No entanto, meia hora mais tarde, ambos os veículos começaram a ter uma rotação violenta. Armstrong, o piloto, conseguiu desengatar o Gêmini 8 da Agena, porém a espaçonave começou a girar com uma velocidade enorme – uma revolução por segundo.

“Temos sérios problemas aqui”, Scott passou no rádio para Houston. “Nós estamos girando numa velocidade intensa. Estamos nos desacoplando do Agena”.

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Neil Armstrong foi capaz de reestabelecer o controle usando propulsores de reentrada da nave espacial. Demorou cerca de 30 segundos para estabilizar o Gemini 8 – mas usando esses propulsores significava que a missão teria de ser abortada dois dias mais cedo. Os astronautas executaram os procedimentos de reentrada e caíram no Oceano Pacífico em menos de 11 horas após o lançamento.

Armstrong, depois de evitar um desastre em uma missão teste, se tornaria o primeiro homem a pisar na Lua em julho de 1969. Scott também foi para a Lua, na Apollo 15.

Curiosity e os sete minutos de terror

Até 2012, todos os desembarques de equipamentos em Marte utilizavam grandes bolsas de ar inflável para “saltar” dos landers não tripulados para a superfície. Tudo isso mudou com o rover Curiosity, embora tenha passado por um momento que causou pânico entre os cientistas que estavam no controle da missão. 

O aCuriosity era muito grande e pesado para o método de airbag, então ao invés disso, a NASA desenvolveu um ambicioso “Sky Crane” um novo sistema para pouso do Curiosity em 5 de agosto de 2012.

Depois de mergulhar através da atmosfera marciana, quatro propulsores iriam ligar, rondando 20 metros acima da superfície e guisando o rover até a superfície através de um cabo. Tal desembarque nunca tinha sido tentado em um outro planeta. 

O tempo entre o primeiro contato contato com a atmosfera e a superfície marciana planejada do Curiosity era de sete minutos. Devido ao tempo de atraso das comunicações entre a Terra e Marte, os engenheiros na Terra tiveram que deixar todo o sistema funcionar de forma autônoma, e esperando que tudo funcionasse como planejado. O vídeo abaixo da NASA mostra estes “sete minutos de terror”.

Felizmente, o pouso ocorreu sem problemas, para a alegria do controle da missão da NASA. O rover estava em um excelente estado, e o seu objetivo era fazer o seu caminho ao redor da fascinante cratera Gale e o seu pico central, o Monte Sharp. Graças a esse sistema de aterrissagem incrível, estamos descobrindo mais sobre como é e sobre como Marte foi no passado.

A missão Apollo 13

A Apollo 13 estava era programado para ser o terceiro pouso de seres humanos na Lua. Tirando uma pequena falha na decolagem no dia 11 de abril de 1970, a missão estava indo bem para a tripulação de astronautas John Swigert, Fred Haise e James Lovell.

Entretanto, 55 horas após o lançamento da missão, a uma distância de 320.000 quilômetros  da Terra, um dos tanques de oxigênio da nave espacial explodiu. A tripulação enfrentou uma séria perspectiva de serem abandonados no espaço. “Houston, temos um problema”, a famosa frase de Swigert pronunciada para o controle da missão.

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Com os níveis de oxigênio sendo reduzidos a cada momento, a tripulação foi forçada a procurar refúgio no Módulo Lunar, que seria usado para pousar na superfície da Lua. Com o pouso abortado, a equipe fez uma volta em torno da Lua, com a tentativa desesperada de voltar para casa.

Os esforços da NASA e da tripulação foram bem sucedidos. No dia 17 de abril de 1970, a tripulação pousou com segurança no Oceano Pacífico.

A história completa da Apollo 13 é emocionante e um grande exemplo do engenho humano. Se você não viu o filme baseado na missão, é altamente recomendável ver.

O astronauta que quase se afogou no espaço

Em um caso mais recente, no dia 16 de julho de 2013, o astronauta italiano da ESA Luca Parmitano saiu da Estação Espacial Internacional (ISS) fazendo o que era para ser uma caminhada espacial de rotina. #SóQueNão.

Parmitano começou sua caminhada no espaço com o astronauta da Nasa Chris Cassidy, e juntos estavam preparando a estação para a chegada de um novo módulo de laboratório multiuso russo chamado Nauka.

Uma hora e nove minutos de caminhada espacial, no entanto, Parmitano informou que seu capacete estava começando a encher de água. Começou a cobrir o seu nariz, o que tornava difícil para respirar. Parmitano relatou depois que no momento estava com medo de respirar água ao invés de oxigênio. 

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Cegado pela água, Parmitano usou seu cabo de segurança para fazer o seu caminho de volta para a escotilha. Eventualmente, com a ajuda de Cassidy, dentro da cabine despressurizada, foi capaz de tirar seu capacete com os ouvidos cheios de água. Cassidy mais tarde descreveu o fato como uma “situação assustadora.”

O problema acabou por ser encontrado a ser o resultado de um filtro entupido, e os fatos já foram fixados para garantir que isso não aconteça novamente. 

Quando Estação Espacial Mir quase teve de ser abandonado

Antes da Estação Espacial Internacional (ISS), tivemos a Mir, uma Estação Espacial russa construída que eclipsou em tamanho todas as estações espaciais antes dela: as estações americana Salyut e a americana Skylab. A Mir permaneceu em órbita de 1986 à 2001, mas em 1997 ela quase teve que ser abandonada por um estranho acidente.

Na época, os cosmonautas russos Vasily Tsibliev e Aleksandr Lazutkin se juntaram na estação com o astronauta da NASA Michael Foale, uma das missões conjuntas EUA-Rússia que acabaria por levar à cooperação na construção da ISS.

Em 25 de junho de 1997, os russos estavam tentando desacoplar uma nave espacial de carga Progress com a estação para testar a viabilidade de comandos manuais. Tsibliev estava controlando a nave espacial, porém ele foi incapaz de controlar a velocidade. Lazutkin viu a Progress chegando muito rápido, e apesar de disparar os foguetes de travagem, a estação parecia condenada.

A Progress se chocou com a Mir, abrindo um buraco em um dos painéis solares e fazendo a Mir rotacionar em uma velocidade incontrolável. Foale, juntamente com a tripulação a bordo correram para usar procedimentos afim de estabilizar a Estação. A velocidade foi caindo rapidamente, e pelos relatórios de danos, foi arquivado um vazamento em uma seção que teve de ser contida. As pilhas de reserva do sistema haviam sido arrancadas com o impacto, fazendo com que a estação operasse com a energia solar, e a tripulação foi deixada sem qualquer poder, cada vez que eles estavam cruzando o lado noturno da Terra.

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Eventualmente, Foale e os russos foram capazes de trazer a estação de volta sob controle parcial usando propulsores de uma nave Soyuz, e com o controle da missão a partir da Terra, foi disparado os próprios propulsores da estação. Uma evacuação parecia iminente, mas eles foram capazes de permanecer na estação, e a Mir permaneceu em órbita por mais quatro anos.

Esta continua a ser a mais grave colisão na história do vôo espacial tripulado, e para a tripulação a bordo, foi certamente um momento aterrorizante.