O Observatório Solar e Heliosférico da Nasa (SOHO, sigla em inglês) completa 20 anos de trabalhos. Foi lançado em 1995 para estudar o Sol e sua influência para fora das bordas do sistema solar. SOHO revolucionou a heliofísica, contribuindo para mais de cinco mil trabalhos científicos. Além disso, é o maior caçador de cometas, com cerca de três mil descobertas, marca batida em setembro desse ano.

Na época do lançamento do SOHO, a heliofísica ainda estava tímida. Algumas questões, como a origem do fluxo constante de material solar conhecido como vento solar, o aquecimento de sua atmosfera etc continuavam sem respostas. Em 20 anos, a compreensão sobre o Sol mudou totalmente, potencializando as pesquisas e aumentando o leque de conhecimentos astronômicos.

“O SOHO mudou a visão popular do sol de uma imagem de objeto imutável estático no céu à dinâmica que é”, disse Bernhard Fleck, cientista da equipe que trabalha com o SOHO.

O SOHO conseguiu avançar, e muito, o pensamento a cerca do Sol. Na época do seu laçamento, acreditava-se que as erupções solares eram os próprios ventos solares e que a Terra era um benefício primário. Hoje em dia, os conceitos de espaço-tempo estão bem definidos para abranger quaisquer eventos ou condições decorrentes do Sol que possam afetar sistemas tecnológicos na Terra.

O Coronagraph, um tipo de câmera acoplada ao SOHO que usa um disco sólido para bloquear a face brilhante do Sol, conseguindo assim observar melhor a atmosfera solar (que hoje conhecemos como corona), possibilitou o entendimento sobre as nuvens gigantes que estouram fora do Sol, as chamadas ejeções de massa coronais (ou CMEs). Isto é uma peça importante do quebra cabeça do clima espacial.

Além do Coronagraph, outras câmeras lançadas antes do SOHO junto com o Telescópio Ultravioleta Extremo (IET, sigla em inglês). Essas câmeras capturaram imagens do Sol em ultravioleta extrema que bloqueia a atmosfera da Terra. Essa ultravioleta extrema dificultava a observação de foguetes e sondas suborbitais que coletavam dados por alguns minutos.

Inclusive, o IET foi considerado a causa dos tsunamis solares. Acreditavam-se que eram ondas IET, mas logo descobriram que aconteciam em conjunto com as ejeções de massas coronais, ou CMEs.

eitwave

Tsunamis solares

O lançamento do SOHO deu-se, também, para responder a três perguntas. A primeira: qual a estrutura interior do Sol? “Obtendo uma imagem precisa da estrutura do Sol, confirmou nossas teorias sobre o número de neutrinos que ele emite”, disse Fleck. “Isso provou o problema do neutrino solar que veio de um mal entendido sobre os neutrinos em si e não os exclusivamente do Sol”. Isso rendeu o Prêmio Nobel de Física 2015 para os pesquisadores que descobriram que os neutrinos podem sofrer uma alteração de modelo em sua jornada a partir do Sol.

A segunda questão era responder sobre o vento solar e sua velocidade. O Sol perde constantemente material em todas as direções.

As observações mostraram os fluxos de vento perto dos buracos coronais e em áreas em que o campo magnético do Sol é mais aberto ao espaço interplanetário. Porém, até agora a terceira questão ainda não foi respondida: o que faz as temperaturas serem descomunalmente altas nas coronas do Sol? As coronas são quentes, mais quentes que as camadas internas do Sol.

SOHO continua trabalhando nessa questão, contribuindo para mais artigos, caçando cometas. “SOHO mostrou coisas que nunca tínhamos visto antes, e, em seguida, percebemos que precisávamos olhar mais para o Sol”, conclui Fleck.

Fonte: Nasa